Empresas de Software: Parceiros ou Adversários?[ 10/03/2017 ] - Fonte: Luiz Antonio Werner

Desde a década de 80 os cartórios vêm mantendo estreito relacionamento com as empresas de software. Coincide com as evoluções tecnológicas e com o ingresso das gerações baby boomer, millenium e mais recentemente a geração Y no uso das soluções propostas pelos cartórios. E isso tem causado a intensa movimentação que se observa nos segmentos notarial e registral.
 
Com os concursos públicos, essas mesmas gerações igualmente ingressaram no comando das serventias e vêm trazendo uma oxigenação muito saudável ao meio. Mas as mudanças que essas gerações esperam e exigem em todos os ramos de atividade levam a questionamentos sobre modelos preexistentes.
 
Os cartórios, sabemos, representam um modelo bastante questionado. Esse questionamento seria amplamente minimizado se a sociedade tivesse acesso aos infindáveis benefícios que obtém da atuação dos cartórios. Mais ainda neste momento em que praticamente todas as instituições públicas são questionadas e desacreditadas. E os cartórios mantém-se à margem desse Brasil que nos envergonha.
 
O modelo de prestação de serviços das empresas de informática que atendem os cartórios também tem recebido questionamentos. E, com a mesma evidência que se demonstra os benefícios que o modelo atual dos cartórios, privatizado e atomizado, trazem à sociedade, pretendo demonstrar a utilidade que os Registradores e Notários podem encontrar em seus parceiros de tecnologia.
               
O que se conhece das empresas de software para cartórios é a imagem de muitos anos atrás. Se por um lado algumas delas tiveram atuações questionáveis, outras evoluíram para estruturas modernas, com métodos, processos e portfólio amplo. Essas, as adequadamente estruturadas e tecnologicamente atualizadas, estão plenamente disponíveis para participar como “braços operacionais” e “mentes tecnológicas” dos cartórios e de suas Associações. Sem falar no grande contingente humano de seus colaboradores, familiarizado com o segmento, leal, igualmente preocupado com os objetivos de preservação e valorização do atual modelo registral e notarial.
 
Mas como operacionalizar, potencializar e avaliar esse “braços” e “mentes”?
 
O melhor modelo é aquele que preserva a impessoalidade e a isenção na escolha. Assim como faz a FEBRABAN, cada Associação estabeleceria os padrões técnicos e operacionais para atendimento às demandas do governo, dos órgãos normativos, do público e dos cartórios associados. Preservaria a atomização e a autonomia de gestão, mas normatizaria as regras fundamentais de interoperação e de atendimento ao público.
 
E as empresas de software poderiam ser submetidas a critérios rigorosos de homologação para que pudessem evidenciar seus pontos fortes e virtudes no atendimento às inúmeras e diversificadas ações técnicas: a) fornecedoras de softwares; a) projetistas de especificações de sistemas ou módulos de sistemas; b) desenvolvedoras; c) suporte presencial; d) Help Desk; e) segurança de dados; f) planos de continuidade de negócios etc.
 
Isso traria benefício aos cartórios?
 
O desnivelamento que se encontra nos padrões operacionais dos cartórios é provavelmente o maior entrave que as Associações encontram em suas ações de integração de dados e de formação de Centrais. Com um trabalho coordenado junto às empresas credenciadas e homologadas, poderiam ser estabelecidos projetos e metas de atendimento para nivelamento ou, pelo menos, para alcance de patamares mínimos para a fluidez segura dos sistemas integrados.
 
Isso traria benefício às Associações?
A FEBRABAN, FIESP, FCESP, SECOVI etc., são riquíssimas e poderiam destinar milhões na criação de estruturas proprietárias de interconexão. No entanto, atuam em propostas de Regulação, mas não interferem nos procedimentos internos de seus Associados. Quais os motivos? Os custos permanentes dos quais nunca mais se livrariam e a enorme responsabilidade solidária que assumiriam.
 
Pense bem. Os cartórios estão passando por um momento único. Por um lado, veem sua atuação ameaçada por iniciativas privadas, projetos de lei e interesses difusos. Por outro, surgem oportunidades criadas com a desjudicialização de alguns serviços e o apelo à segurança dos negócios jurídicos. Mas grande parte das oportunidades que se apresentam passa por uma área que não é de total domínio dos notários e registradores: TECNOLOGIA!
 
Assumir essa nova vertente representará um risco ou uma oportunidade? Sobretudo com a diversidade que existe no mundo dos cartórios?
 
  • Diversidade de visão e faixa etária dos titulares
  • De familiaridade com a tecnologia
  • De potencial de investimento
  • De quantidade de colaboradores
  • Da capacitação desses colaboradores
  • Das diferentes exigências normativas de cada Estado

Esse é, de fato, um cenário bastante desafiador!

Pense agora: Os cartórios ou suas Associações estão disponíveis para a criação de estruturas profissionais especializadas em temas como?
 
  • Criação de softwares
  • Adequações às necessidades de cada cartório
  • Treinamento e Implantações
  • Suporte Técnico
  • Mudanças legais
  • Atualizações tecnológicas
  • Registro Eletrônico
  • Certificação digital
  • Big Data
  • BI
  • Desmaterialização de documentos
  • Assinatura eletrônica
  • Computação em nuvem
  • Invasões e Sequestro de dados
  • Disaster Recovery

As oportunidades e ameaças da tecnologia no mundo notarial e registral passam por todos esses temas.

Como VOCÊ irá tratar desses assuntos em meio às suas atribuições jurídicas e de gestão?

A resposta é: com um parceiro de confiança!

Luiz Antonio Werner
Administrador, Sócio-Diretor da SiplanControl-M Informática, Diretor do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo.

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